Comecei 2012 com a sensação de que o ano ainda não começou. É um sentimento diferente dos outros anos, é como se algumas coisas (boas) tivessem deixado de acompanhar a virada do ano, e ficassem presas em 2011. É como se muitas “pontas soltas” ainda resistissem e não deixassem a vida seguir o curso normal que é pra frente e pra sempre.
Enquanto 2011 ia caminhando para o fim, algumas coisas desandaram e a ansiedade por um novo ano começava a aflorar. Senti as pessoas diferentes, em todos os sentidos, todas ela com a ânsia por um novo ano, e uma nova chance pra recomeçar.
Quando um novo ano começa, a gente quer se livrar de muitos hábitos e obviamente quer adquirir outros tantos. Acontece que as vezes algumas pessoas deixam “coisas” (hábitos, amizades, sonhos) boas e verdadeiras pra trás, e se enganam com o brilho e a promessa de outras coisas que teoricamente são melhores, e que vão satisfazer o que antes antes não eram suficientes. É um grande engano que as pessoas só se dão conta depois que quebram a cara.
Ano novo é tempo de rever os amigos que a gente passa o ano todo sem ver (e que dá uma saudade danada). É a chance de poder rir da mesma história que contaram nos anos anteriores, colocar as novidades em dia e ver como o cabelo daquela sua amiga tá diferentão, e que a barba daquele outro amigo tá enoooorme!
Ano novo chega sempre cheio de expectativas e vontades. Pra maioria ele chega em Janeiro, mas pra outros chega só em Abril. Tudo depende de como se vê as coisas e de como as sente.
A gente planeja e sonha com viagens incríveis, imagina um novo corte de cabelo e até uma corzinha pra chocar a galera. Abre o guarda-roupa na intenção de se desfazer das roupas velhas pra dar lugar ao que virá novinho das lojas. Fazemos uma limpezinha nas gavetas, jogamos fora a papelada inútil do ano que passou. E claro, prometemos “mundos e fundos” pros próximos 365 dias que teremos pela frente.
Tudo isso porque ano novo é sempre igual, e acho que é justamente por isso que não sinto que meu ano começou. Não fiz planos e nem promessas. Não arrumei meu guarda-roupa, não joguei papel fora e nem vi nada de novo que realmente valesse a pena nas pessoas. Todas estão tão distantes e preocupadas apenas com seus próprios umbigos e problemas…
Talvez meu ano comece amanhã, na semana que vem ou só lá em Abril mesmo. Mas se o seu já começou, faça as suas promessas tomarem forma e seus sonhos valerem a pena. 2012 além de ter 366 dias (uma a mais pra se viver), ainda chegou com a especulação de que ia acabar… ou seja, não perde tempo não!
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Ainda não começou
Amizade
Aprendi e entendi que amizade a gente reconhece. Mas não no sentido de reconhecimento de mérito ou algo assim, mas no sentido de que a gente percebe e nota que de fato é amizade. É fácil confundir amizade com simpatia. É bem normal até. Mas é fácil também reconhecer quando a gente pode confiar em alguém. Confiar é uma grande prova de amizade. No caso de ser recíproca essa confiança, a coisa é forte o bastante para durar mesmo quando o barco parece que vai afundar.
Aprendi também, que amizade não é tempo, e sim intensidade. Você pode conhecer uma pessoa a vida inteira e não conhecê-la direito. Não conhece os defeitos, as rachaduras, os anseios e o que a faz feliz. Mas ai é que entra a diferença entre tempo e intensidade. Você conhece alguém e em pouco tempo reconhece como um amigo. Aprende e se interessa pela pessoa, conhece o suficiente para perceber quando ela está mal, quando precisa simplesmente da sua companhia, ou do seu silêncio. São, em muitos casos, um carinho velado, brincadeiras ou demonstrações de preocupação. Ser amigo é tomar as dores e fazer das guerras do amigo, as suas guerras.
Amizade é pensar e o outro falar. É estar conectado mesmo estando longe. É ter paciência, mas saber criticar. É não ter medo de ouvir o que o outro pensa, mesmo que seja totalmente oposto ao que você pensa. Entendi que você não precisa concordar com o que o seu amigo diz, basta ouvir, e pode ter certeza de que é isso que ele precisa.
Aprendi também que amizade é não desistir mesmo quando o outro dá todos os motivos do mundo. A gente se decepciona? Sim, várias vezes. Mas concorda que a gente só se decepciona com quem é importante pra gente? Por isso passamos por cima de qualquer derrapada que o outro dê. Pode ter certeza de que você também vai dar mancada, e ele vai sentir, mas vai te perdoar, porque amizade é isso também, perdão!
E mesmo já tendo aprendido tudo isso, todos os dias me surpreendo e vejo que não existe uma receita pra que as coisas funcionem de forma “certinha”, elas simplesmente acontecem como tem que acontecer. Ninguém entra nas nossas vidas por acaso, e a gente não as mantém junto a nós sem que isso faça algum sentido.
Nunca desiste
Porque paixão boa é essa que dura pra sempre. Amor bom é o que nunca desiste. Ser Corinthiano é estar eternamente apaixonado e não se importar quando as expectativas não são alcançadas. É amar e abraçar a loucura. É gritar até ficar rouco, chorar no ombro do desconhecido que está ao lado. É ter de aturar o país inteiro contra, e mesmo assim ser maior que tudo isso. É não ter as unhas, porque já roeu todas. É estar preparado e programado pra sofrer, e achar isso normal. É sorrir com ou sem dente, e empurrar o time sempre!
Corinthians é NAÇÃO!
Dos mistérios que cercam esse amor, a única coisa que sei é que SOU LOUCA POR TI, CORINTHIANS!
Senhor do Tempo
Se você não cumpre com o que fala, se não honra as tuas palavras, não prometa e não faça os outros acreditarem e criarem expectativas com relação a você. É desperdício de tempo pra quem espera, e não importam as circunstâncias. Tempo a gente não recupera, não dá pra simplesmente voltar atras e mudar as coisas. Não dá! Tenha cuidado em não falar as coisas da boca pra fora, porque talvez pra você não tenha relevância, mas pra quem ouviu tem. Não roube o tempo de alguém quando você sabe que não poderá devolvê-lo. É sério, não faça isso. Tenha ciência de suas atitudes. Acredite ou não, há quem mude os próprios planos para aproveitar da sua companhia, então dê valor a isso e não brinque de “senhor do tempo” com a vida dos outros.
Novela
Já perceberam que nas novelas alguns atores costumam representar papéis bem parecidos em novelas diferentes?
Não sei isso se deve a baixa flexibilidade de interpretação, ou se os autores gostam(mesmo) de ver o ator naquele papel. O fato é que a nossa vida é bem parecida com isso. É uma novela eterna e as vezes a gente é escolhido para o papel de vilão, bonzinho, bobo, ranzinza, mentiroso, chorão, desencanado, rico, pobre, doente, esportista… enfim, algum papel a gente representa nessa vida. Tem gente que subestima a nossa capacidade de interpretar mais de um papel, e isso me deixa injuriada.
Minha novela mesmo, as vezes é bem parecida com aquelas das 18 horas, outras vezes tem o estilo das 19 horas mas na grande maioria das vezes, está mais para aquelas do canal do homem do baú!
E dai eu me pergunto por-quê-eu-tenho-sempre-que-ficar-com-o-papel-de-boba-da-história? Sabe aquela que todo mundo tem CERTEZA que engana? Bom, as vezes engana mesmo. Aquela que acredita que as pessoas são sinceras e assim como ela, foram criadas de forma a não mentir para as outras. Mas é claro que ela está errada, é a boba da história!
E quando me dão o papel da boazinha? Esse é o que eu mais recebo. Deve ser pela minha cara, eu acho. Não recebo muitos papéis de megera e vilã. Acho que não combina com minhas feições, ou com as minha atitudes, mas vai saber, né?! Tenho sempre que seguir o script, e não posso reclamar, falar palavrão, xingar e muito menos deixar de sorrir. Tenho sempre que ajudar e aceitar as desculpas esfarrapadas de todo mundo.
Quando pego os papéis de vilã, é aquele baque! Ninguém acredita que consigo representá-lo, mas eu consigo. Represento muito bem quando preciso ser a megera da história. Aquela que se alguém pisar no calo, vai ter a pisada retrucada. Consigo mostrar que não estou satisfeita com uma situação, e que também não sou boba. Sei me fingir de ‘morta’ e ficar em silêncio o quanto for necessário. Posso sumir e reaparecer em grande estilo, tipo a Bia Falcão, sabe?! “Eu sou Bia Falcão, o nome do poder!”…
Represento a ranzinza de vez em quando também. Mas represento esse papel em casa, onde os espectadores tem a mente mais aberta aos problemas que arrumo.
No fim das contas, eu só queria não ficar marcada como alguém que não saiba representar diversos papéis no palco da vida. Não quero que me vejam de uma forma só. Se olhar melhor, vai ver que tem muito mais que essa cara de protagonista do sertão da novela das 18 horas!
Inesperado
Numa noite em que eu já tinha tudo planejado pra ver o show do meu ruivo predileto, as coisas começaram a ficar bem “estranhas”. Eu já estava completamente atrasada para o show, depois de 1 milhão de contratempos, e meio desanimada, afinal de contas eu ia estar no meio de um monte de gente, mas completamente sozinha. Confesso que fui ao show em busca da sensação que as músicas do Nando sempre me causam, mas ao chegar lá, me deparei com a banda que fazia a abertura do show, e por essa eu não esperava, mesmo porquê eu já estava bem atrasada pro show principal. Ok, então tá, né?! Fui chegando de mansinho, como quem não quer nada, e fui absorvida pelo som que os caras que estavam no palco faziam. Não consegui ficar parada e a forma como o vocalista cantava me encantou, não só pela bela voz, mas pelo jeito que ele sentia a música. O baixista parecia não estar ali, era como se transportasse para a música também. O baterista era um velho conhecido de outros shows que fui ver o Nando junto aos Infernais. A cada música que eles apresentavam, eu me desligava mais e mais das pessoas ao meu redor, e focava apenas na música e nas três pessoas que entoavam a melodia. Fui surpreendida por uma sensação de descobrimento, senti um alívio, e era como se a mordaça estivesse sendo retirada do meu coração. Cantavam palavras que eu sentia de forma muito intensa naquele momento, palavras que eu esperava escutar da atração principal da noite, e não de uma banda com o nome de Suricato, com todo o respeito a banda, claro! Acordes conhecidos começaram a ser tocados, e me dei conta de que iam cantar “Valerie”, e isso foi ainda mais impactante. Conheci essa música na voz da Amy, e qualquer coisa que me remeta ao que a voz dessa mulher me causa, me faz prestar mais atenção. E que baita versão os caras tocaram! Além desse cover, cantaram uma música do Lulu Santos, e o coro que se fez no HSBC Brasil foi lindo. Não tardou para que o show acabasse, e confesso que por mim, eles nem teriam descido do palco. Aplaudi com vontade os caras que tocaram meu coração naquela noite. O ruivo entrou no palco, 45 minutos atrasado, mas lindo como sempre. Nos apresentou seus grandes sucessos, e também as suas músicas do Bailão do Ruivão. Tudo lindo, não fosse o fato de eu lembrar continuamente, que eu estava sozinha curtindo algo que eu queria compartilhar com alguém. Incrivelmente ao ouvir as primeiras notas de Relicário, All Star e Por Onde Andei, não me comovi como faço em seus shows. Apenas me juntei ao coro que cantava lindamente as canções. Na hora do bis, sai do meio das pessoas, e me isolei perto do bar, pra ver de longe o espetáculo que o ruivo dava junto a platéia. Quanta gente bonita! Cantei sozinha apoiada no bar, Bichos Escrotos e curti os últimos instantes do show que soou inesperado no fim das contas.
Não sei o que é um riff, um acorde, e muito menos sei identificar as notas musicais. Mas sou uma entusiasta da boa música, e sim, eu me envolvo e me apaixono por ela.
Descobri que naquela noite eu não estava destinada a me emocionar com o óbvio, e sim com o inesperado. E talvez seja isso mesmo que eu precise: descartar o óbvio e me entregar ao que não faz o menor sentido na minha cabeça. Talvez seja isso a vida, preencher-se com o que te faz vibrar e esquecer o mundo por alguns instantes.
http://www.suricatooficial.com.br/
“E talvez eu possa te mostrar diante de qualquer nariz, que pra entender o que há dentro leva tempo. De mim você não sabe nem metade, então me diz se vai ou se me invade… ”
Desconectada
Ela não se vestia como as outras. Parecia meio desconectada das tendências de moda e estilo. Não aparentava se importar com isso. Seu estilo era desencanado, coerente com o que achava que era confortável. Sempre de calça jeans, uma blusinha leve, não muito justa, porque blusa justinha marca a barriga, e esse é seu ponto fraco. Calçava tênis, e as vezes um sapato baixinho. Parou de fazer balé porque sentia dores nos pés, e não ia ser agora que ela ia se matar por causa da aparência e da vaidade. Sem muitos acessórios, acreditava que os brincos e um pingente já eram o suficiente. Usava óculos. A armação não era muito convencional. Talvez fosse a peça mais estilosa de todo o seu guarda-roupa. Seu cabelo muitas vezes estava desgrenhado. Outras vezes estava razoável, dava até pra deixar solto. Detestava ter de prender o cabelo, mas não se importava muito com o fato de mais um tantinho de vaidade ir embora com isso…
Nunca se achou chamativa ou qualquer coisa que o valha. Sempre quis manter a discrição e passar despercebida por onde andava. Era difícil. Não pela beleza, ela nem se achava bonita, mas por ser diferente. Seus cabelos não seguiam a moda dos cabelos lisos. Era um cabelo cacheado meio alourado. Não tinha tinta neles, eram naturais. Ela não era a pessoa mais bronzeada do mundo, esse era mais um dos fatores que faziam com que ela se destacasse das demais. Parecia ter saído do filme do Crepúsculo, só faltava brilhar quando saia no Sol. Era branca. Muito branca.
Agora ela escreve esse texto, e vê que muita coisa não mudou. Continua OFF do mundo da moda. Adotou terninhos e sapatos com salto(bem pequeno). Quase não usa tênis. Seu cabelo continua tendo vontade própria e ainda não tem tinta nele. Compra vestidos no impulso, mas nunca sabe quando usá-los. Acredita que todo esse texto é uma besteira, mas se divertiu MUITO ao escrevê-lo.
